Programação Completa
Apresentação
Colóquios são encontros amigáveis, calorosos, onde se trocam idéias, e assim desejamos que sejam os Colóquios de Música Antiga da UFRGS. Nossos colóquios ocorrerão uma vez por mês, sempre aos sábados, no Instituto de Artes da UFRGS. Cada um destes encontros terá um tema específico, abordando um aspecto particular da música barroca, e será constituído por uma palestra e um concerto. O tema abordado na palestra será ilustrado musicalmente no concerto, ao final do dia. Deste modo, queremos promover a integração entre conhecimento teórico, informação histórica e vivência musical, convidando o público a se aproximar mais da música barroca. Todos os concertos terão entrada franca.
Ao longo do ano, teremos a oportunidade de conhecer melhor este período da história da música ocidental, através de um repertório fascinante, com combinações sonoras extraordinárias.
Sejam todos bem vindos!
Profa. Dra. Lucia Becker Carpena
Coordenadora dos Colóquios
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Convite para o Concerto do Conjunto de Música Antiga - Colóquio #6
O período mais esplendoroso da música da corte de Dresden se inicia com a ascensão do Eleitor Friedrich August da Saxônia, em 1693. Nos 70 anos que se sucederam, Dresden se transformou no maior centro artístico da Europa Central. Em 1710, a corte já contava com uma Kapelle nos moldes da orquestra clássica, com cordas e sopros, o que a tornava uma das mais modernas da Alemanha. O grupo, internacional, continha artistas de diversas nacionalidades - franceses, italianos, alemães, flamengos, boêmios.
A visita do Príncipe Eleitor August a Veneza (1716-17) rendeu bons frutos musicais à cidade: em sua viagem de volta, ele trouxe consigo uma companhia de músicos treinados no estilo de Vivaldi, que se somaram aos músicos de orientação francesa que já trabalhavam na corte. Entre os músicos trazidos de Veneza encontrava-se o alemão Johann Heinichen, que permaneceu em Dresden até sua morte. A música de Vivaldi exerceu ainda grande influência sobre compositores alemães que nunca visitaram a Itália, como o violinista Johann Fasch.
Com esta pluralidade de estilos, a corte de Dresden se transformou no mais importante centro de difusão da prática musical que autores germânicos denominaram Estilo Alemão ou Gostos Reunidos: aquele gosto que, a partir da imitação dos modelos franceses e italianos, “selecionava o melhor de cada estilo”. Entre os compositores que foram conhecer a famosa Kapelle, atraídos por sua reputação, encontra-se Georg Philipp Telemann, o compositor mais famoso de sua época. Em 1719, ele assistiu o grupo no recém-inaugurado teatro da cidade - o maior da Europa, com 2000 lugares. O período dourado da música de Dresden se encerrou em 1763, com o fechamento da casa de ópera e com a dissolução da orquestra.
Na década de 1780, o grupo foi restabelecido, e seu repertório passou a seguir tendências estilísticas importadas de Viena, transitando entre o estilo veemente, conhecido como Tempestade e Ímpeto, e o estilo deleitável dos salões, ou Galante. Entre os compositores tocados estavam, além de Haydn e Mozart, Johann Stamitz e Johann Baptist Vanhal, considerado por seus colegas um talento promissor que, contudo, teve sua carreira subitamente encerrada por distúrbios nervosos descritos nos anais como “ataques de mania religiosa”.
Sendo assim, o presente programa, ao apresentar obras de autores que viveram em Dresden, que passaram pela cidade ou que exerceram influência sobre os compositores que lá trabalharam, permitirá ao ouvinte desfrutar da formidável variedade de estilos cultivada por esta corte legitimamente cosmopolita.
O Conjunto de Música Antiga da UFRGS é um grupo integrado por alunos, ex-alunos e professores do Departamento de Música do IA/UFRGS que se dedica à pesquisa e interpretação de repertório de música antiga. A coordenadora do Conjunto de Música Antiga da UFRGS é a professora Lúcia Carpena do Departamento de Música do IA/UFRGS.
Sábado, 29 de outubro de 2011
às 18h30min
no Instituto de Artes da UFRGS
(Rua Senhor dos Passos, 248 - Centro - Porto Alegre)
ENTRADA FRANCA
Convite para o Colóquio #6 - Do Barroco ao Classicismo: a experiência de Dresden.
1) "Antecedentes e pressupostos da retórica musical", com Profa. Dra. Mônica Lucas (ECA-USP)
A palestra se articula em dois campos distintos: histórico e sistemático.Embora a relação entre música e palavra já seja mencionada em poéticas medievais, ela só é definitivamente sistematizada no séc. XVII, em escritos musicais surgidos no mundo luterano. Seus autores, na esteira dos studia humanitatis italianos, passam a enfatizar o potencial afetivo e persuasivo da música, transpondo preceitos da oratória, especialmente a latina, para o âmbito da composição. Com isto, apresentam uma concepção poético-retórica da música. O estudo destas preceptivas é interessante para o leitor moderno por auxiliar na recuperação do horizonte de sentido de autores seiscentistas e setecentistas, e por apresentar ferramentas de análise deste repertório.
Na segunda parte da palestra, será apresentada a sistemática retórico-musical apresentada por Johann Mattheson no tratado “O Mestre-de-Capela Perfeito” (1739), ilustrada com exemplos musi
cais.
2) "Fundamentos do sentido musical: o jogo, a emoção, o ambiente, o movimento, a harmonia, a história. Manifestações históricas dos fundamentos e suas integrações na passagem para o estilo clássico", com Prof. Dr. Ricardo Mitidieri (Projeto Prelúdio - IFRS)
Em um panorama geral, serão apresentadas as hipóteses de seis fundamentos do sentido musical e suas manifestações nas tendências poético/estéticas (por exemplo: na teoria neoplatônica da harmonia das esferas, na teoria dos afetos e na inclusão da música de dança no repertório) dos períodos medieval, renascentista e barroco, com respectivos exemplos musicais. Trataremos das relações entre os fundamentos, possíveis hierarquizações e combinações entre eles.
Como conclusão, será indicado de que maneira alguns dos chamados fundamentos manifestados nos períodos anteriores integraram-se para caracterizar o estilo clássico. Nesse estilo foi predominante um gênero (Sonata; Sinfonia) que reuniu as seguintes possibilidades tipificadas por cada um de seus movimentos: a música como princípio de ordenação e síntese (ordenação harmônica da diversidade temática: harmonia), a música expressiva (o estilo cantabile, do segundo movimento: emoção), a música de dança (o estilo coreográfico da terceiro movimento, o minueto: movimento).
Data e horário: 29 de outubro de 2011, sábado, das 9 às 12h e das 14h30min às 17h30min.
Local: Instituto de Artes da UFRGS (Rua Senhor dos Passos, 248 - Centro - Porto Alegre/RS)
Taxas: R$ 35,00 (comunidade em geral) e R$ 25,00 (alunos da UFRGS)
Inscrições podem ser feitas:
a) preferencialmente por e-mail: através do endereço extmusica@ufrgs.br, colocando no assunto da mensagem "Inscrição Colóquios";
b) no Programa de Extensão do DMUS – UFRGS, Rua Sr. dos Passos, 248/sala 62 - Centro - Porto Alegre/RS, tel (51)3308.4325;
c) no dia do Colóquio, a partir das 8h30min, no local;
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Convite para o Concerto do Conjunto de Música Antiga - Colóquio #5
No repertório, obras de J. B. Lully, A. Campra e J. Rebel, que serão dançadas ao vivo pelo bailarino Ricardo Barros, com o emprego de figurinos teatrais que remontam aos croquis de Gissey e Berain, no século XVIII.
Trata-se de um espetáculo jamais visto em Porto Alegre! Pela primeira vez, dança barroca, executada com música ao vivo e em trajes feitos a partir de originais do século XVIII.
Data e horário: 01 de outubro de 2011, sábado, 18h30min.
Local: Auditorium Tasso Corrêa do IA/UFRGS (Rua Senhor dos Passos, 248, térreo)
ENTRADA FRANCA
Palestrantes do Colóquio #5 - Les Arts Réunis: a dança barroca como símbolo do Absolutismo
Em setembro/2011 dirigiu o Conjunto de Música Antiga da ECA/USP e bailarinos da Mercurius Company em montagem histórica de seu divertissement 'Les Arts Réunis', baseado na obra de Lully, com concertos em São Paulo e Jundiaí.
Ricardo Athaide Mitidieri (IFRS-Projeto Prelúdio) é graduado em violão pelo Instituto de Artes da UFRGS(1989). Em 2003 concluiu doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP com a tese "Composição e contexto: a música e o discurso de Pierre Boulez". É professor de teoria da música, história da música e violão no Curso Técnico em Música e no Projeto Prelúdio do Instituto Federal-RS.
Convite para o Colóquio #5 - Les Arts Réunis: a dança barroca como símbolo do Absolutismo
1) "O discurso retórico representado no gestual da dança barroca", com Prof. Dr. Ricardo Barros (Royal Academy of Music/Londres)
A Entrée de Apollon (Entrada de Apolo) foi escrita por Jean-Baptiste Lully para ser dançada pelo próprio Luís XIV, que encarnava o Deus-Sol em sua plenitude. Em sua palestra, o Prof. Ricardo Barros apresentará a coreografia orginal feita para a peça, no século XVII, e dançará a obra ao vivo, explicitando como o gestual da dança barroca pontua e sublinha o discurso retórico proposto pelo compositor.
2) "À escuta do corpo: integração da dança ao conceito europeu de música", com Prof. Dr. Ricardo Mitidieri (IFRS - Projeto Prelúdio)
A integração da dança à cultura europeia letrada dependeu de diversos processos. O julgamento moral e religioso da dança foi o primeiro e mais duradouro desses processos: a situação da dança nas escrituras (ARCANGELI, Alessandro. David ou Salomé? O debate europeu sobre a dança no início da era moderna) ou a inclusão, eventualmente conflituosa, de danças populares no repertório da lírica trovadoresca são apenas dois exemplos. Um outro processo, menos evidente, teve a ver com a possibilidade de teorização da dança: o conceito europeu de música (EGGEBRECHT, H. O que é música?) é caracterizado pela indissociável concomitância de teoria e prática. A dança passou a fazer parte do conceito europeu de música quando atendeu à possibilidade de ser teorizada. Isso ocorreu nos primeiros tratados de dança conhecidos, a partir do início do séc. XV, na Itália (Domenico da Piacenza). O enquadramento teórico, julgamentos morais favoráveis ou neutros e a adoção da dança pelo cerimonial profano das cortes monárquicas são fatores que permitiram de maneira definitiva (ao menos até o século XX) a possibilidade de uma música que evoca ou concretiza o corpo: como forma instrumental autônoma no século XVI (“dança” para se escutar), ou no Ballet da Corte francesa do séc. XVII (música e dança integrados no espetáculo).
Data e horário: 01 de outubro de 2011, sábado, das 9 às 12h e das 14h30min às 17h30min.
Local: Instituto de Artes da UFRGS (Rua Senhor dos Passos, 248 - Centro - Porto Alegre/RS)
Taxas: R$ 35,00 (comunidade em geral) e R$ 25,00 (alunos da UFRGS)
Pacote de 2 Colóquios com desconto de 10%: R$ 63,00 (comunidade em geral) e R$ 45,00 (alunos da UFRGS)
Inscrições podem ser feitas:
a) preferencialmente por e-mail, através do endereço extmusica@ufrgs.br, colocando no assunto da mensagem "Inscrição Colóquios";
b) no Programa de Extensão do DMUS – UFRGS, Rua Sr. dos Passos, 248/sala 62 - Centro - Porto Alegre/RS, tel (51)3308.4325;
c) no dia do Colóquio, a partir das 8h30min, no local
domingo, 25 de setembro de 2011
Convite para o workshop "Introdução à Dança Barroca",
Público-alvo/pré-requisitos: bailarinos/dançarinos com, no mínimo, três anos de experiência.
Data: 27/09/2011, terça-feira
Horário: das 9h às 12h
Local: Auditório Tasso Corrêa, no Instituto de Artes da UFRGS.
Rua Senhor dos Passos, 248 - Centro - Porto Alegre/RS.
Valor da inscrição: R$30,00 (trinta reais) para alunos da UFRGS e R$ 45,00 (quarenta e cinco reais) para a comunidade em geral.
Inscrições: a partir do dia 15/09/2011
a) preferencialmente por e-mail, através do endereço extmusica@ufrgs.br;
b) no Programa de Extensão do DMUS – UFRGS, Rua Sr. dos Passos, 248/sala 62 - Centro - Porto Alegre/RS, tel (51)3308.4325;
Colóquio #4 - Monteverdi & Strozzi: da prima a seconda prattica (Concerto)
A instrumentação do concerto foi muito rica, contando com flautas doces sopranos, contraltos, tenores e baixos, violinos, violas, viola da gamba, violoncelo, contrabaixo, cravo, órgão, teorba, alaúdes e quatro cantores (soprano, tenores e barítono). O Departamento de Música da UFRGS sente-se orgulhoso por ter a oportunidade de apresentar um grupo de câmara voltado à prática da música antiga. O Conjunto de Música Antiga da UFRGS é formado por alunos, professores e ex-alunos do DEMUS, que tem em comum a paixão pelo repertório de música antiga.
Para que o público pudesse degustar ao máximo o concerto foram acrescentadas ao programa as traduções dos textos que foram cantados, revelando a profunda relação entre texto e música cultivada pelos compositores e poetas da Itália no século XVI.
A apresentação contou com combinações instrumentais diferentes, que forneceram à platéia quase lotada grande riqueza de timbres e sonoridades.

