Programação Completa
Apresentação
Colóquios são encontros amigáveis, calorosos, onde se trocam idéias, e assim desejamos que sejam os Colóquios de Música Antiga da UFRGS. Nossos colóquios ocorrerão uma vez por mês, sempre aos sábados, no Instituto de Artes da UFRGS. Cada um destes encontros terá um tema específico, abordando um aspecto particular da música barroca, e será constituído por uma palestra e um concerto. O tema abordado na palestra será ilustrado musicalmente no concerto, ao final do dia. Deste modo, queremos promover a integração entre conhecimento teórico, informação histórica e vivência musical, convidando o público a se aproximar mais da música barroca. Todos os concertos terão entrada franca.
Ao longo do ano, teremos a oportunidade de conhecer melhor este período da história da música ocidental, através de um repertório fascinante, com combinações sonoras extraordinárias.
Sejam todos bem vindos!
Profa. Dra. Lucia Becker Carpena
Coordenadora dos Colóquios
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Convite para o Concerto do Conjunto de Música Antiga - Colóquio #4
Palestrantes do Colóquio #4 - Monteverdi & Strozzi: da prima à seconda prattica
Fernando Mattos (UFRGS) - sócio fundador e professor da Arena - Associação de Arte e Cultura, Fernando Lewis de Mattos é doutor em música pela UFRGS, onde integra o quadro de professores do Departamento de Música e participa do corpo docente do Bacharelado em História da Arte do Instituto de Artes. Como compositor, seu trabalho inclui peças para diferentes formações vocais e instrumentais, além de participação em música incidental e produção de material sonoro para exposições. Também atua como instrumentista (alaúde, viola caipira e violão), com dedicação à música antiga européia e à música tradicional e contemporânea brasileira.
Ricardo Athaide Mitidieri (IFRS-Projeto Prelúdio) é graduado em violão pelo Instituto de Artes da UFRGS(1989). Em 2003 concluiu doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP com a tese "Composição e contexto: a música e o discurso de Pierre Boulez". É professor de teoria da música, história da música e violão no Curso Técnico em Música e no Projeto Prelúdio do Instituto Federal-RS.
Convite para o Colóquio #4 - Monteverdi & Strozzi: da prima à seconda prattica
Sinopse das palestras:
Profa. Dra. Silvana Scarinci – O desenvolvimento da linguagem dramática e a voz como expressão máxima da subjetividade de um personagem. O Lamento como tópica.
A tópica tradicional do Lamento, em que vemos se descortinar diante de nossos olhos – e ouvidos – uma cena típica de abandono amoroso, gradativamente ganhará intensidade dramática e culminará numa das convenções favoritas da ópera do Seiscentos. Nesta palestra, poderemos contemplar lamentos em diversas de suas roupagens: a várias vozes em Cipriano de Rore; extrapolando as amarras polifônicas do madrigal, na pungente queixa da ninfa de Monteverdi; e finalmente, com os nobres trajes do Lamento operístico, assistimos ao espetáculo do lancinante desespero de Arianna, expresso através da força dramática do recém criado recitativo.
Prof. Dr. Fernando Mattos (UFRGS): A Querela entre os Antigos e os Modernos.
Com base em traduções de textos dos gregos Platão e Aristóteles e dos latinos Cìcero e Horário, surgiu uma grande discussão entre diferentes grupos de artistas, especialmente nas áreas de música e teatro, na passagem do século XVI ao século XVII. Para defender suas idéias, ambos os grupos evocavam os filósofos clássicos. Os "modernos" pretendiam usar livremente dissonâncias, cromatismos e falsas relações entre as notas para expressar as palavras cantadas com maior propriedade, ao passo que os "antigos" exigiam que toda a música fosse embasada nas severas regras do contraponto tradicional.
Já em 1581, Vincenzo Galilei escrevia O Diálogo Entre a Música Antiga e a Música Moderna, em que diz: “Parece-me que aqueles que apostam simplesmente no peso da autoridade para comprovar uma tese, sem procurar argumentos que a validem, agem de forma absurda. Eu gostaria de investigar livremente, sem qualquer tipo de servilismo. Esse me parece o único bem daqueles que procuram a verdade”. Posteriormente, a querela se acirraria nas discussões entre Artusi e os irmãos Monteverdi, nascendo daí um novo estilo musical, hoje conhecido como Barroco.
Prof. Dr. Ricardo Mitidieri (IFRS–Projeto Prelúdio): Prima prattica e seconda prattica: o canto dos anjos e o canto dos homens.
Na história da música européia a chamada seconda prattica consolida a possibilidade de uma música expressiva, ou mais especificamente de uma música capaz de expressar ou suscitar emoções e sentimentos humanos através da representação musical dos afetos contidos nos textos poéticos. Uma grande inovação do Humanismo italiano que se tornou a concepção mais popular de música desde então.
No entanto, algo também ocorria no campo da música religiosa associável à prima prattica. Devido às profundas transformações que ocorriam nas instituições religiosas, houve no século XVI o ápice de uma possibilidade que vinha sendo paulatinamente testada. Compositores assumem o conceito de música como harmonia universal (de origem pitagórico-platônica) adotado pela teologia cristã e acrescentam a idéia da música como elemento onipresente e imprescindível em qualquer representação literária ou iconográfica do Reino dos céus (DELUMEAU, Jean. O que sobrou do paraíso.) Almejava-se a representação de uma música celestial (ainda que não descolada de poderes bastante terrenos, como mostra a história). Escutaremos algumas das obras que mais plenamente realizaram tal ideal de um canto dos anjos, contraste significativo ao canto dos homens que será ouvido no concerto do dia do Colóquio de música antiga.
O quarto colóquio ocorre no dia 27 de agosto, das 9h às 12h e das 14:30h às 17:30h. É possível adquirir um pacote para os três próximos colóquios, com desconto de 10%: (R$ 95,00: comunidade em geral e R$ 68,00: alunos da UFRGS).As inscrições podem ser feitas preferencialmente por e-mail (através do endereço extmusica@ufrgs.br), diretamente no Programa de Extensão do DMUS ou no dia do colóquio, a partir das 8:30h, no local.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Colóquio #3 - A Arte da Fuga (Palestra)
No turno da tarde, o Prof. Ricardo Mitidieri (IFRS) deu nova faceta à temática da escrita imitativa, falando sobre "Perplexidade e ordem: a tocata como contraste com a fuga". Segundo o Prof. Ricardo, "as fugas de J. S. Bach, em especial aquelas de "A Arte da Fuga" são a culminância da idéia de que a música é representação de uma ordem cósmica/divina imutável, a perfeita conjugação de diversidade e unidade. A tocata surge em um certo momento histórico como a forma instrumental que integra elementos da música dramática com suas representações das imperfeitas e desordenadas paixões humanas. Compreender o sentido da tocata leva a um entendimento maior do próprio sentido da fuga e relaciona as formas musicais com as idéias e concepções que lhes deram origem." Ilustrada com muitos exemplos musicais, a palestra do Prof. Ricardo mostrou ao público a complementariedade entre a ordem e a desordem, proporcionado um interessante debate com o público.
Créditos das fotos: Felipe Conde
Colóquio #3 - A Arte da Fuga (Concerto)
A fotos são do ensaio para o concerto, realizado às 18h30min e que teve presença maciça do público, que há mais de 15 anos não ouvia a "Arte da Fuga" ser tocada em Porto Alegre.
Créditos das fotos: Felipe Conde
Fotos Colóquio #2 (01)
A abertura do concerto reservou uma surpresa para o público: a peça de Heinrich Biber, escrita para dois coros de instrumentos, foi executada dispondo-se o grupo das cordas no palco e o grupo das flautas doces no mezanino do Auditorium Tasso Corrêa. À primeira entrada das flautas o público se surpreendeu com o som vindo do alto, como um coro de anjos, num efeito semelhante ao praticado no século XVI na Catedral de São Marcos, em Veneza
Créditos das fotos: Suellen Caprara










