Programação Completa

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

30/04/11 - A ópera barroca e os estilos nacionais. Prof. Dr. Paulo Magayar Kühl (UNICAMP).
28/05/11 - A prática musical européia após a Reforma de Lutero. Profª Ms. Kátia Kato Justi (UNICAMP).
18/06/11 - A Arte da Fuga: monumento da música ocidental. Prof. Dr. Marcelo Fagerlande (UFRJ) e Profª Ms. Ana Cecília Tavares (Escola de Música de Brasília).
27/08/11 - Monteverdi & Strozzi: da prima à seconda prattica. Profª Drª Silvana Scarinci (UFPR).
01/10/11 - Les Arts Réunis: a dança barroca como símbolo do Absolutismo. Prof. Dr. Riccardo Barros (Royal Academy of Music/ Londres).
29/10/11 - Do Barroco ao Classicismo: a experiência de Dresden. Profª Drª Mônica Lucas (ECA-USP).

Apresentação

Colóquios são encontros amigáveis, calorosos, onde se trocam idéias, e assim desejamos que sejam os Colóquios de Música Antiga da UFRGS. Nossos colóquios ocorrerão uma vez por mês, sempre aos sábados, no Instituto de Artes da UFRGS. Cada um destes encontros terá um tema específico, abordando um aspecto particular da música barroca, e será constituído por uma palestra e um concerto. O tema abordado na palestra será ilustrado musicalmente no concerto, ao final do dia. Deste modo, queremos promover a integração entre conhecimento teórico, informação histórica e vivência musical, convidando o público a se aproximar mais da música barroca. Todos os concertos terão entrada franca.

Ao longo do ano, teremos a oportunidade de conhecer melhor este período da história da música ocidental, através de um repertório fascinante, com combinações sonoras extraordinárias.

Sejam todos bem vindos!

Profa. Dra. Lucia Becker Carpena

Coordenadora dos Colóquios

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Convite para o Concerto do Conjunto de Música Antiga - Colóquio #6

O Conjunto de Música Antiga da UFRGS apresenta, com a participação de Mônica Lucas (clarinete clássico), o concerto que encerra o último dos colóquios de Música Antiga. O repertório do concerto é o da transição que caracteriza este período em direção à música clássica. O concerto será de interesse especial por causa dos instrumentistas de sopro, pois teremos não só as flautas doces, frequentes no repertório barroco, mas também flauta trasnversa barroca (traverso) e clarinete clássico. O repertório é luxuoso, com obras que não se escutam todo dia nas salas de concerto da cidade.No programa, obras de Georg Philipp Telemann, Johann Friedrich Fasch, Carl Friedrich Abel, Carl Philipp Emanuel Bach, Johann Baptist Vanhal e Johann David Heinichen.


O período mais esplendoroso da música da corte de Dresden se inicia com a ascensão do Eleitor Friedrich August da Saxônia, em 1693. Nos 70 anos que se sucederam, Dresden se transformou no maior centro artístico da Europa Central. Em 1710, a corte já contava com uma Kapelle nos moldes da orquestra clássica, com cordas e sopros, o que a tornava uma das mais modernas da Alemanha. O grupo, internacional, continha artistas de diversas nacionalidades - franceses, italianos, alemães, flamengos, boêmios.

A visita do Príncipe Eleitor August a Veneza (1716-17) rendeu bons frutos musicais à cidade: em sua viagem de volta, ele trouxe consigo uma companhia de músicos treinados no estilo de Vivaldi, que se somaram aos músicos de orientação francesa que já trabalhavam na corte. Entre os músicos trazidos de Veneza encontrava-se o alemão Johann Heinichen, que permaneceu em Dresden até sua morte. A música de Vivaldi exerceu ainda grande influência sobre compositores alemães que nunca visitaram a Itália, como o violinista Johann Fasch.

Com esta pluralidade de estilos, a corte de Dresden se transformou no mais importante centro de difusão da prática musical que autores germânicos denominaram Estilo Alemão ou Gostos Reunidos: aquele gosto que, a partir da imitação dos modelos franceses e italianos, “selecionava o melhor de cada estilo”. Entre os compositores que foram conhecer a famosa Kapelle, atraídos por sua reputação, encontra-se Georg Philipp Telemann, o compositor mais famoso de sua época. Em 1719, ele assistiu o grupo no recém-inaugurado teatro da cidade - o maior da Europa, com 2000 lugares. O período dourado da música de Dresden se encerrou em 1763, com o fechamento da casa de ópera e com a dissolução da orquestra.

Na década de 1780, o grupo foi restabelecido, e seu repertório passou a seguir tendências estilísticas importadas de Viena, transitando entre o estilo veemente, conhecido como Tempestade e Ímpeto, e o estilo deleitável dos salões, ou Galante. Entre os compositores tocados estavam, além de Haydn e Mozart, Johann Stamitz e Johann Baptist Vanhal, considerado por seus colegas um talento promissor que, contudo, teve sua carreira subitamente encerrada por distúrbios nervosos descritos nos anais como “ataques de mania religiosa”.

Sendo assim, o presente programa, ao apresentar obras de autores que viveram em Dresden, que passaram pela cidade ou que exerceram influência sobre os compositores que lá trabalharam, permitirá ao ouvinte desfrutar da formidável variedade de estilos cultivada por esta corte legitimamente cosmopolita.

O Conjunto de Música Antiga da UFRGS é um grupo integrado por alunos, ex-alunos e professores do Departamento de Música do IA/UFRGS que se dedica à pesquisa e interpretação de repertório de música antiga. A coordenadora do Conjunto de Música Antiga da UFRGS é a professora Lúcia Carpena do Departamento de Música do IA/UFRGS.

Sábado, 29 de outubro de 2011
às 18h30min
no Instituto de Artes da UFRGS
(Rua Senhor dos Passos, 248 - Centro - Porto Alegre)
ENTRADA FRANCA

Convite para o Colóquio #6 - Do Barroco ao Classicismo: a experiência de Dresden.

Palestras:

1) "Antecedentes e pressupostos da retórica musical", com Profa. Dra. Mônica Lucas (ECA-USP)

A palestra se articula em dois campos distintos: histórico e sistemático.Embora a relação entre música e palavra já seja mencionada em poéticas medievais, ela só é definitivamente sistematizada no séc. XVII, em escritos musicais surgidos no mundo luterano. Seus autores, na esteira dos studia humanitatis italianos, passam a enfatizar o potencial afetivo e persuasivo da música, transpondo preceitos da oratória, especialmente a latina, para o âmbito da composição. Com isto, apresentam uma concepção poético-retórica da música. O estudo destas preceptivas é interessante para o leitor moderno por auxiliar na recuperação do horizonte de sentido de autores seiscentistas e setecentistas, e por apresentar ferramentas de análise deste repertório.
Na segunda parte da palestra, será apresentada a sistemática retórico-musical apresentada por Johann Mattheson no tratado “O Mestre-de-Capela Perfeito” (1739), ilustrada com exemplos musi
cais.

2) "Fundamentos do sentido musical: o jogo, a emoção, o ambiente, o movimento, a harmonia, a história. Manifestações históricas dos fundamentos e suas integrações na passagem para o estilo clássico", com Prof. Dr. Ricardo Mitidieri (Projeto Prelúdio - IFRS)

Em um panorama geral, serão apresentadas as hipóteses de seis fundamentos do sentido musical e suas manifestações nas tendências poético/estéticas (por exemplo: na teoria neoplatônica da harmonia das esferas, na teoria dos afetos e na inclusão da música de dança no repertório) dos períodos medieval, renascentista e barroco, com respectivos exemplos musicais. Trataremos das relações entre os fundamentos, possíveis hierarquizações e combinações entre eles.
Como conclusão, será indicado de que maneira alguns dos chamados fundamentos manifestados nos períodos anteriores integraram-se para caracterizar o estilo clássico. Nesse estilo foi predominante um gênero (Sonata; Sinfonia) que reuniu as seguintes possibilidades tipificadas por cada um de seus movimentos: a música como princípio de ordenação e síntese (ordenação harmônica da diversidade temática: harmonia), a música expressiva (o estilo cantabile, do segundo movimento: emoção), a música de dança (o estilo coreográfico da terceiro movimento, o minueto: movimento).


Data e horário: 29 de outubro de 2011, sábado, das 9 às 12h e das 14h30min às 17h30min.

Local: Instituto de Artes da UFRGS (Rua Senhor dos Passos, 248 - Centro - Porto Alegre/RS)

Taxas: R$ 35,00 (comunidade em geral) e R$ 25,00 (alunos da UFRGS)

Inscrições podem ser feitas:

a) preferencialmente por e-mail: através do endereço extmusica@ufrgs.br, colocando no assunto da mensagem "Inscrição Colóquios";

b) no Programa de Extensão do DMUS – UFRGS, Rua Sr. dos Passos, 248/sala 62 - Centro - Porto Alegre/RS, tel (51)3308.4325;

c) no dia do Colóquio, a partir das 8h30min, no local;

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Convite para o Concerto do Conjunto de Música Antiga - Colóquio #5

O LES ARTS RÉUNIS, criado nos moldes dos divertissements de corte propõe resgatar o esplendor e magia de tais produções com o uso desde coreografias do repertório da Belle Danse e adoção do sistema de arcadas criado por Lully para tal repertório (e minuciosamente notadas por Georg Muffat).
No repertório, obras de J. B. Lully, A. Campra e J. Rebel, que serão dançadas ao vivo pelo bailarino Ricardo Barros, com o emprego de figurinos teatrais que remontam aos croquis de Gissey e Berain, no século XVIII.
Trata-se de um espetáculo jamais visto em Porto Alegre! Pela primeira vez, dança barroca, executada com música ao vivo e em trajes feitos a partir de originais do século XVIII.

Data e horário: 01 de outubro de 2011, sábado, 18h30min.

Local: Auditorium Tasso Corrêa do IA/UFRGS (Rua Senhor dos Passos, 248, térreo)

ENTRADA FRANCA

Palestrantes do Colóquio #5 - Les Arts Réunis: a dança barroca como símbolo do Absolutismo

Ricardo Barros (Royal Academy of Music/Londres), natural de São Paulo e radicado há 18 anos na Inglaterra, foi recentemente agraciado com o título Associate Royal Academy of Music por sua 'significante contribuição à profissão musical’ e alia sua carreira artística com um perfil acadêmico de destaque e conhecimento do panorama da dança e música no período barroco. Graduou-se pela UNICAMP na classe da Prof. Dra. Helena Jank e cursou pós-graduação em Londres na Guildhall School e na Royal Academy of Music. Realizou seu début solo durante o Edinburgh Festival em 1994, tocando a obra completa para cravo de Pancrace Royer no famoso cravo Taskin de 1769, na St Cecilia's Hall. Ricardo dirige e apresenta-se com sua inovadora Mercurius Company (www.mercuriuscompany.co.uk) em concertos e montagens históricas envolvendo bailarinos, cantores, instrumentistas e atores. Tem sido muito solicitado como diretor, bailarino, coreógrafo e cravista em concertos no Reino Unido, Europa e Américas. Ávido acadêmico com várias publicações, teve sua tese de doutorado Dance as a discourse: the rhetorical expression of the passions in French Baroque dance recentemente publicada pela Lambert Academic Publishing com distribuição mundial - a qual tem sida recebida como estudo fundamental na compreensão da relação músico-coreológica. Foi escolhido – junto a Vivienne Westwood – para ter sua parceria com a Wallace Collection gravada em documentário a fim de representar este museu junto ao projeto Creative Journeys, involvendo os nove mais importantes museus da Inglaterra (www.vimeo.com/3269027).
Em setembro/2011 dirigiu o Conjunto de Música Antiga da ECA/USP e bailarinos da Mercurius Company em montagem histórica de seu divertissement 'Les Arts Réunis', baseado na obra de Lully, com concertos em São Paulo e Jundiaí.

Ricardo Athaide Mitidieri (IFRS-Projeto Prelúdio) é graduado em violão pelo Instituto de Artes da UFRGS(1989). Em 2003 concluiu doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP com a tese "Composição e contexto: a música e o discurso de Pierre Boulez". É professor de teoria da música, história da música e violão no Curso Técnico em Música e no Projeto Prelúdio do Instituto Federal-RS.

Convite para o Colóquio #5 - Les Arts Réunis: a dança barroca como símbolo do Absolutismo

Palestras:

1) "O discurso retórico representado no gestual da dança barroca", com Prof. Dr. Ricardo Barros (Royal Academy of Music/Londres)

A Entrée de Apollon (Entrada de Apolo) foi escrita por Jean-Baptiste Lully para ser dançada pelo próprio Luís XIV, que encarnava o Deus-Sol em sua plenitude. Em sua palestra, o Prof. Ricardo Barros apresentará a coreografia orginal feita para a peça, no século XVII, e dançará a obra ao vivo, explicitando como o gestual da dança barroca pontua e sublinha o discurso retórico proposto pelo compositor.

2) "À escuta do corpo: integração da dança ao conceito europeu de música", com Prof. Dr. Ricardo Mitidieri (IFRS - Projeto Prelúdio)

A integração da dança à cultura europeia letrada dependeu de diversos processos. O julgamento moral e religioso da dança foi o primeiro e mais duradouro desses processos: a situação da dança nas escrituras (ARCANGELI, Alessandro. David ou Salomé? O debate europeu sobre a dança no início da era moderna) ou a inclusão, eventualmente conflituosa, de danças populares no repertório da lírica trovadoresca são apenas dois exemplos. Um outro processo, menos evidente, teve a ver com a possibilidade de teorização da dança: o conceito europeu de música (EGGEBRECHT, H. O que é música?) é caracterizado pela indissociável concomitância de teoria e prática. A dança passou a fazer parte do conceito europeu de música quando atendeu à possibilidade de ser teorizada. Isso ocorreu nos primeiros tratados de dança conhecidos, a partir do início do séc. XV, na Itália (Domenico da Piacenza). O enquadramento teórico, julgamentos morais favoráveis ou neutros e a adoção da dança pelo cerimonial profano das cortes monárquicas são fatores que permitiram de maneira definitiva (ao menos até o século XX) a possibilidade de uma música que evoca ou concretiza o corpo: como forma instrumental autônoma no século XVI (“dança” para se escutar), ou no Ballet da Corte francesa do séc. XVII (música e dança integrados no espetáculo).

Data e horário: 01 de outubro de 2011, sábado, das 9 às 12h e das 14h30min às 17h30min.

Local: Instituto de Artes da UFRGS (Rua Senhor dos Passos, 248 - Centro - Porto Alegre/RS)

Taxas: R$ 35,00 (comunidade em geral) e R$ 25,00 (alunos da UFRGS)
Pacote de 2 Colóquios com desconto de 10%: R$ 63,00 (comunidade em geral) e R$ 45,00 (alunos da UFRGS)

Inscrições podem ser feitas:

a) preferencialmente por e-mail, através do endereço extmusica@ufrgs.br, colocando no assunto da mensagem "Inscrição Colóquios";

b) no Programa de Extensão do DMUS – UFRGS, Rua Sr. dos Passos, 248/sala 62 - Centro - Porto Alegre/RS, tel (51)3308.4325;

c) no dia do Colóquio, a partir das 8h30min, no local

domingo, 25 de setembro de 2011

Convite para o workshop "Introdução à Dança Barroca",

O Prof. Dr. Ricardo Barros, da Royal Academy (Londres), vai apresentar as origens do balé clássico, na corte de Luís XIV, e o surgimento da dança como arte autônoma. Haverá demonstrações de coreografias barrocas, com a execução de música ao vivo e uso de figurinos que são réplicas de originais franceses barrocos. Os participantes vão aprender os passos básicos de danças como minueto, gavota e sarabande, bem como o conceito de ornamentação em dança e a relação do gestual retórico com elementos da música.


Público-alvo/pré-requisitos: bailarinos/dançarinos com, no mínimo, três anos de experiência.

Data: 27/09/2011, terça-feira

Horário: das 9h às 12h

Local: Auditório Tasso Corrêa, no Instituto de Artes da UFRGS.
Rua Senhor dos Passos, 248 - Centro - Porto Alegre/RS.

Valor da inscrição: R$30,00 (trinta reais) para alunos da UFRGS e R$ 45,00 (quarenta e cinco reais) para a comunidade em geral.
Inscrições: a partir do dia 15/09/2011
a) preferencialmente por e-mail, através do endereço extmusica@ufrgs.br;

b) no Programa de Extensão do DMUS – UFRGS, Rua Sr. dos Passos, 248/sala 62 - Centro - Porto Alegre/RS, tel (51)3308.4325;

Colóquio #4 - Monteverdi & Strozzi: da prima a seconda prattica (Concerto)

O programa do concerto do Conjunto de Música Antiga da UFRGS do dia 27 de agosto foi escolhido de acordo com o tema das palestras daquele dia: “Monteverdi e Strozzi: da prima à seconda prattica”. No programa, composições de Heirinch Von Biber (1644-1704), Claudio Monteverdi (1576-1643), Cipriano de Rore (1516-1565), Vicenzo Galilei (1520-1591), Frascesco da Milano (1497-1543), Barbara Strozzi (1619-1677) e Diego Ortiz (c.1510-c.1570).
A instrumentação do concerto foi muito rica, contando com flautas doces sopranos, contraltos, tenores e baixos, violinos, violas, viola da gamba, violoncelo, contrabaixo, cravo, órgão, teorba, alaúdes e quatro cantores (soprano, tenores e barítono). O Departamento de Música da UFRGS sente-se orgulhoso por ter a oportunidade de apresentar um grupo de câmara voltado à prática da música antiga. O Conjunto de Música Antiga da UFRGS é formado por alunos, professores e ex-alunos do DEMUS, que tem em comum a paixão pelo repertório de música antiga.
Para que o público pudesse degustar ao máximo o concerto foram acrescentadas ao programa as traduções dos textos que foram cantados, revelando a profunda relação entre texto e música cultivada pelos compositores e poetas da Itália no século XVI.
A apresentação contou com combinações instrumentais diferentes, que forneceram à platéia quase lotada grande riqueza de timbres e sonoridades.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Colóquio #4 - Monteverdi & Strozzi: da prima a seconda prattica (Ensaio)

Os ensaios finais para o concerto foram coordenados por Profª Drª Silvana Scarinci (UFPR), que compartilhou com os músicos toda a sua experiência de anos de dedicação à música antiga, em especial à música italiana dos séculos XVI e XVII.

Antes da chegada da Profª Silvana, os ensaios do Conjunto de Música Antiga da UFRGS foram coordenados pela Profª Drª Lucia Carpena (UFRGS), que trabalhou com ensaios separados por naipes e ensaios coletivos para que o concerto fosse um sucesso. Integram a direção musical dos concertos os músicos Diego Schuck Biasibetti e Fernando Cordella.





Colóquio #4 - Monteverdi & Strozzi: da prima a seconda prattica

No dia 27 de agosto foi realizado o Colóquio #4 de Música Antiga. As palestras tiveram três momentos distintos, definidos pelos três palestrantes convidados. Primeiramente, pela manhã, a Profª Drª Silvana Scarinci (UFPR) falou sobre a vida de Barbara Strozzi (1619-1677) e sua importância como compositora. Segundo a Profa. Silvana, na Veneza daquela época, as mulheres que não se casavam deviam optar entre ir para o convento ou serem cortesãs. Para a palestrante, Barbara Strozzi teria sido uma cortesã, apesar de alguns musicólogos americanos defenderem o contrário.


Num segundo momento, o Prof. Dr. Fernando Mattos (UFRGS) trouxe em pauta a passagem da prima prattica (representada pelos motetos), para a seconda prattica (representada pelos madrigais). O palestrante focou no conflito entre Giovanni Maria Artusi (1540-1613) e Claudio Monteverdi (1567-1643), onde Artusi criticou Monteverdi, considerando absurdo o seu uso de de dissonâncias sem preparação ou resolução - numa prática que configurava o chamado stile moderno. O irmão de Claudio rebateu as críticas de Artusi, dizendo que na prima prattica a Harmonia é mestre da palavra; já na seconda prattica, a Harmonia é um suporte, aliada da palavra, e não sua mestra.



Na parte da tarde, o Prof. Dr. Ricardo Mitidieri (IFRS - Projeto Prelúdio) relacionou a prima e a seconda prattica com o canto dos anjos e o canto dos homens, respectivamente. Foram feitas audições de peças de Johannes Ockeghem, Josquin Deprez, Thomas Tallis e Alessandro Striggio, com comentários do palestrante.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Convite para o Concerto do Conjunto de Música Antiga - Colóquio #4

No dia do Colóquio #4, 27 de agosto, às 18:30h, o Conjunto de Música Antiga da UFRGS realizará um concerto com a participação de cantores convidados, no Auditorium Tasso Corrêa do IA/UFRGS. No programa, obras de Cipriano de Rore, Claudio Monteverdi, Barbara Strozzi e Francesco Cavalli. O concerto tem ENTRADA FRANCA.

Palestrantes do Colóquio #4 - Monteverdi & Strozzi: da prima à seconda prattica

Silvana Scarinci (UFPR) estudou alaúde com Vincent Dumestre. Sua formação em Música Antiga deve-se muito aos anos em que viveu em Bloomington, freqüentando as classes de Nigel North e outros professores da University of Indiana. Em 2001, fundou o grupo Anima Fortis, premiado pela associação norte-americana Early Music América em 2002. O grupo apresentou-se no Bloomington Early Music Festival (2001, Indiana) e Berkeley Early Music Festival (2002, Califórnia). Publicou o livro e Cd, Safo Novella: uma poética do abandono nos lamentos de Barbara Strozzi (Veneza, 1619 – 1677) (EDUSP e ALGOL editoras, 2008) Tem participado de várias produções de ópera barroca e outras grandes formas do período, sob a direção de Nigel North, Abel Rocha, Nicolau de Figueiredo, Martin Gester, Marcelo Fagerlande. É professora do curso de graduação e pós-graduação em música da UFPR.


Fernando Mattos (UFRGS) - sócio fundador e professor da Arena - Associação de Arte e Cultura, Fernando Lewis de Mattos é doutor em música pela UFRGS, onde integra o quadro de professores do Departamento de Música e participa do corpo docente do Bacharelado em História da Arte do Instituto de Artes. Como compositor, seu trabalho inclui peças para diferentes formações vocais e instrumentais, além de participação em música incidental e produção de material sonoro para exposições. Também atua como instrumentista (alaúde, viola caipira e violão), com dedicação à música antiga européia e à música tradicional e contemporânea brasileira.

Ricardo Athaide Mitidieri (IFRS-Projeto Prelúdio) é graduado em violão pelo Instituto de Artes da UFRGS(1989). Em 2003 concluiu doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP com a tese "Composição e contexto: a música e o discurso de Pierre Boulez". É professor de teoria da música, história da música e violão no Curso Técnico em Música e no Projeto Prelúdio do Instituto Federal-RS.

Convite para o Colóquio #4 - Monteverdi & Strozzi: da prima à seconda prattica

O quarto colóquio tem como palestrantes convidados os professores e músicos Silvana Scarinci (UFPR), Ricardo Mitidieri (IFRS - Projeto Prelúdio) e Fernando Lewis de Mattos (UFRGS). Os convidados apresentarão suas idéias a respeito deste período de grande ebulição da música ocidental que viu acontecer a transição da escrita polifônica para o surgimento da melodia acompanhada e a coexistência destes dois princípios na prática musical européia a partir do século XVII.

Sinopse das palestras:

Profa. Dra. Silvana Scarinci – O desenvolvimento da linguagem dramática e a voz como expressão máxima da subjetividade de um personagem. O Lamento como tópica.

A tópica tradicional do Lamento, em que vemos se descortinar diante de nossos olhos – e ouvidos – uma cena típica de abandono amoroso, gradativamente ganhará intensidade dramática e culminará numa das convenções favoritas da ópera do Seiscentos. Nesta palestra, poderemos contemplar lamentos em diversas de suas roupagens: a várias vozes em Cipriano de Rore; extrapolando as amarras polifônicas do madrigal, na pungente queixa da ninfa de Monteverdi; e finalmente, com os nobres trajes do Lamento operístico, assistimos ao espetáculo do lancinante desespero de Arianna, expresso através da força dramática do recém criado recitativo.

Prof. Dr. Fernando Mattos (UFRGS): A Querela entre os Antigos e os Modernos.

Com base em traduções de textos dos gregos Platão e Aristóteles e dos latinos Cìcero e Horário, surgiu uma grande discussão entre diferentes grupos de artistas, especialmente nas áreas de música e teatro, na passagem do século XVI ao século XVII. Para defender suas idéias, ambos os grupos evocavam os filósofos clássicos. Os "modernos" pretendiam usar livremente dissonâncias, cromatismos e falsas relações entre as notas para expressar as palavras cantadas com maior propriedade, ao passo que os "antigos" exigiam que toda a música fosse embasada nas severas regras do contraponto tradicional.
Já em 1581, Vincenzo Galilei escrevia O Diálogo Entre a Música Antiga e a Música Moderna, em que diz: “Parece-me que aqueles que apostam simplesmente no peso da autoridade para comprovar uma tese, sem procurar argumentos que a validem, agem de forma absurda. Eu gostaria de investigar livremente, sem qualquer tipo de servilismo. Esse me parece o único bem daqueles que procuram a verdade”. Posteriormente, a querela se acirraria nas discussões entre Artusi e os irmãos Monteverdi, nascendo daí um novo estilo musical, hoje conhecido como Barroco.

Prof. Dr. Ricardo Mitidieri (IFRS–Projeto Prelúdio): Prima prattica e seconda prattica: o canto dos anjos e o canto dos homens.

Na história da música européia a chamada seconda prattica consolida a possibilidade de uma música expressiva, ou mais especificamente de uma música capaz de expressar ou suscitar emoções e sentimentos humanos através da representação musical dos afetos contidos nos textos poéticos. Uma grande inovação do Humanismo italiano que se tornou a concepção mais popular de música desde então.
No entanto, algo também ocorria no campo da música religiosa associável à prima prattica. Devido às profundas transformações que ocorriam nas instituições religiosas, houve no século XVI o ápice de uma possibilidade que vinha sendo paulatinamente testada. Compositores assumem o conceito de música como harmonia universal (de origem pitagórico-platônica) adotado pela teologia cristã e acrescentam a idéia da música como elemento onipresente e imprescindível em qualquer representação literária ou iconográfica do Reino dos céus (DELUMEAU, Jean. O que sobrou do paraíso.) Almejava-se a representação de uma música celestial (ainda que não descolada de poderes bastante terrenos, como mostra a história). Escutaremos algumas das obras que mais plenamente realizaram tal ideal de um canto dos anjos, contraste significativo ao canto dos homens que será ouvido no concerto do dia do Colóquio de música antiga.

O quarto colóquio ocorre no dia 27 de agosto, das 9h às 12h e das 14:30h às 17:30h. É possível adquirir um pacote para os três próximos colóquios, com desconto de 10%: (R$ 95,00: comunidade em geral e R$ 68,00: alunos da UFRGS).As inscrições podem ser feitas preferencialmente por e-mail (através do endereço extmusica@ufrgs.br), diretamente no Programa de Extensão do DMUS ou no dia do colóquio, a partir das 8:30h, no local.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Colóquio #3 - A Arte da Fuga (Palestra)

O Colóquio #3 teve por tema "A Arte da Fuga" e teve como palestrantes convidados os professores Ricardo Mitidieri (IFRS), e Fernando Lewis de Mattos (UFRGS). O Prof. Fernando Mattos deu início à palestra da manhã falando sobre as origens dos processos da escrita imitativa na música européia. Mostrou o exemplo mais antigo que se conhece, "Summer is icumen in", e conduziu os ouvintes através de processos como cânon e ricercar, fornecendo muitos exemplos auditivos de gêneros musicais que estão na origem da fuga, com reflexões sobre o contraponto imitativo e sua importância nas transformações da música europeia dos séculos XIV a XVII. Houve também um momento de música ao vivo, quando o Prof. Fernando Mattos e a Profa. Flávia Domingues Alves, docente de violão na UFRGS, apresentaram obras para duo de alaúdes, de compositores como Francisco da Milano, nas quais estavam presentes processos imitativos.

No turno da tarde, o Prof. Ricardo Mitidieri (IFRS) deu nova faceta à temática da escrita imitativa, falando sobre "Perplexidade e ordem: a tocata como contraste com a fuga". Segundo o Prof. Ricardo, "as fugas de J. S. Bach, em especial aquelas de "A Arte da Fuga" são a culminância da idéia de que a música é representação de uma ordem cósmica/divina imutável, a perfeita conjugação de diversidade e unidade. A tocata surge em um certo momento histórico como a forma instrumental que integra elementos da música dramática com suas representações das imperfeitas e desordenadas paixões humanas. Compreender o sentido da tocata leva a um entendimento maior do próprio sentido da fuga e relaciona as formas musicais com as idéias e concepções que lhes deram origem." Ilustrada com muitos exemplos musicais, a palestra do Prof. Ricardo mostrou ao público a complementariedade entre a ordem e a desordem, proporcionado um interessante debate com o público.



Créditos das fotos: Felipe Conde

Colóquio #3 - A Arte da Fuga (Concerto)

O Colóquio #3 ocorreu no dia 18 de junho e teve por tema "A Arte da Fuga - Monumento da Música Ocidental". Participaram do colóquio como músicos convidados os cravistas Ana Cecília Tavares, da Escola de Música de Brasília, e Marcelo Fagerlande, da UFRJ. Além do concerto, os cravistas participaram da palestra da manhã, quando apresentaram um breve histórico da "Arte da Fuga" e falaram sobre as estrutura da peça.
A fotos são do ensaio para o concerto, realizado às 18h30min e que teve presença maciça do público, que há mais de 15 anos não ouvia a "Arte da Fuga" ser tocada em Porto Alegre.





Créditos das fotos: Felipe Conde

Fotos Colóquio #2 (02)

Mais algumas fotos do Concerto do Colóquio #2, no dia 28/05.






Créditos das fotos: Suellen Caprara

Fotos Colóquio #2 (01)

Seguem algumas fotos do Concerto do Colóquio #2, realizado pelo Conjunto de Música Antiga da UFRGS, com a presença da soprano Cíntia de Los Santos, no dia 28/05.

A abertura do concerto reservou uma surpresa para o público: a peça de Heinrich Biber, escrita para dois coros de instrumentos, foi executada dispondo-se o grupo das cordas no palco e o grupo das flautas doces no mezanino do Auditorium Tasso Corrêa. À primeira entrada das flautas o público se surpreendeu com o som vindo do alto, como um coro de anjos, num efeito semelhante ao praticado no século XVI na Catedral de São Marcos, em Veneza






Créditos das fotos: Suellen Caprara

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Músicos do Colóquio#3 - A Arte da Fuga:

Ana Cecília Tavares (Escola de Música de Brasília) é Mestre em cravo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez especialização em Paris com a cravista Huguette Dreyfus obtendo os premios: Prix d’Excellence e Prix de Virtuosité. Estudou baixo cifrado com Olivier Baumont, participou de eventos internacionais de cravo, e apresentou-se em diferentes cidades francesas. No Brasil, foi vencedora do VI Prêmio Eldorado de Música (SP), gravando disco solo (selo Eldorado). Gravou também o CD para cravo solo Bach/Froberger, outros CDs camerísticos e a Arte da Fuga (Clássicos). Atuou no 28º e no 31º Curso Internacional de Verão em Brasília, ministrou curso de extensão na UFRJ e é professora de cravo no CEP- Escola de Música de Brasília.

Marcelo Fagerlande (UFRJ),é graduado em cravo pela Escola Superior de Música de Stuttgart (1986) e Doutor em Musicologia pela Uni-Rio (2002). É professor da Escola de Música da UFRJ. Apresentou-se por todo o Brasil e nos EUA, México, Alemanha, França, Portugal, Espanha, Hungria. Peru e Uruguai. Dirigiu óperas de Monteverdi, Telemann, Boismortier e Purcell (Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Sala Cecilia Meireles, Teatro Amazonas, Teatro de Santa Isabel, CCBBs Rio, São Paulo e Brasília). Gravou CDs no Brasil e na Alemanha – como Marcelo Fagerlande no Museu Imperial, Bach e Pixinguinha (Núcleo Contemporâneo) Modinhas Cariocas (Biscoito Fino) e A Arte da Fuga (Clássicos). www.marcelofagerlande.com.br

“A Arte da Fuga (...) ganha em perspectiva nos dois cravos tocados por Ana Cecília e Fagerlande (...)vivacidade raramente presente em execuções em outros teclados.” Nahima Maciel, Correio Braziliense, 11.03.10.´


O concerto tem ENTRADA FRANCA e ocorre no sábado, dia 18/06,às 18h30min no Instituto de Artes da UFRGS.

Palestrantes do Colóquio #3 – A Arte da Fuga:

Ana Cecília Tavares (Escola de Música de Brasília) e Marcelo Fagerlande (UFRJ). Os dois cravistas lançaram em março de 2010 a gravação integral do ciclo em Cd, pelo selo Clássicos (SP), com excelentes críticas. É a primeiro registro fonográfico da obra no Brasil e também a primeira gravação de dois cravos realizada no país. Tavares e Fagerlande apresentaram A Arte da Fuga em recitais em teatros no Brasil (Rio, São Paulo e Brasília), em festivais (Mostra Internacional de Musica em Olinda – MIMO, Ciclo Bach 2010, Sala Cecília Meireles, Rio) e na Alemanha (Karlsruhe e Stuttgart).

Fernando Mattos (UFRGS) - sócio fundador e professor da Arena - Associação de Arte e Cultura, Fernando Lewis de Mattos é doutor em música pela UFRGS, onde integra o quadro de professores do Departamento de Música e participa do corpo docente do Bacharelado em História da Arte do Instituto de Artes. Como compositor, seu trabalho inclui peças para diferentes formações vocais e instrumentais, além de participação em música incidental e produção de material sonoro para exposições. Também atua como instrumentista (alaúde, viola caipira e violão), com dedicação à música antiga européia e à música tradicional e contemporânea brasileira.

Ricardo Athaide Mitidieri (IFRS-Projeto Prelúdio) é graduado em violão pelo Instituto de Artes da UFRGS(1989). Em 2003 concluiu doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP com a tese "Composição e contexto: a música e o discurso de Pierre Boulez". É professor de teoria da música, história da música e violão no Curso Técnico em Música e no Projeto Prelúdio do Instituto Federal-RS.

Convite para o Colóquio #3 - A Arte da Fuga, monumento da música ocidental

O terceiro dos Colóquios de Música Antiga da UFRGS tem como músicos convidados os cravistas Ana Cecília Tavares e Marcelo Fagerlande, que apresentam em versão inédita para dois cravos A Arte da Fuga, a última grande composição de um dos maiores gênios da Música Ocidental, Johann Sebastian Bach (1685-1750). A obra é considerada uma das maiores criações musicais da História da Música, representando a culminância do pensamento polifônico.

Além de suas inegáveis qualidades musicais, a Arte da Fuga está envolta em alguns mistérios, como: para que instrumento ou grupo de instrumentos teria sido composta? Ou, por que motivo Bach não finalizou a obra, deixando a última Fuga inacabada? Este ciclo magistral tem sido alvo de muitos estudos e especulações, até mesmo de caráter místico. Uma das relações presentes na música do gênio alemão é aquela que relaciona letras e números. Assim, a soma das letras do nome do compositor, segundo a notação alfabética alemã (B+A+C+H = 2 + 1 + 3 + 8 = 14), equivale ao número de Fugas da obra, fato considerado por muitos como proposital.

Para melhor entender a complexidade e a genialidade da Arte da Fuga, a palestra deste colóquio será compartilhada entre os cravistas Ana Cecília Tavares (Escola de Música de Brasília) e Marcelo Fagerlande (UFRJ) e os violonistas e compositores Fernando Lewis de Mattos (UFRGS) e Ricardo Mitidieri (IFRS-Projeto Prelúdio).
O concerto tem ENTRADA FRANCA e ocorre no sábado, dia 18/06, às 18h30min no Instituto de Artes da UFRGS.

Temas das palestras:

Música Polifônica e as Origens da Fuga – Prof. Fernando Mattos. As fugas de J. S. Bach são consideradas o ponto culminante da arte polifônica. Esta comunicação, que contará com execução musical ao vivo, abordará gêneros musicais que estão na origem da fuga, com reflexões sobre o contraponto imitativo e sua importância nas transformações da música europeia dos séculos XIV a XVII.

A Arte da Fuga – Professores Ana Cecília Tavares e Marcelo Fagerlande. A estrutura da obra, relações entre as partes, simetrias e correspondências, uso de materiais motívicos.

Perplexidade e ordem: a tocata como contraste com a fuga - Prof. Ricardo Mitidieri. As fugas de J. S. Bach, em especial aquelas de "A Arte da Fuga" são a culminância da idéia de que a música é representação de uma ordem cósmica/divina imutável, a perfeita conjugação de diversidade e unidade. A tocata surge em um certo momento histórico como a forma instrumental que integra elementos da música dramática com suas representações das imperfeitas e desordenadas paixões humanas. Compreender o sentido da tocata leva a um entendimento maior do próprio sentido da fuga e relaciona as formas musicais com as idéias e concepções que lhes deram origem.

Colóquio #2 - Música Luterana

A palestra com a Profa. Kátia Kato (UNICAMP) teve excelente procura e teve público heterogêneo, atraído pelo tema “A prática musical após a Reforma de Lutero”. Tratava-se de uma palestra destinada não apenas a alunos do Departamento de Música da UFRGS e apreciadores de música em geral, mas também a pessoas ligadas à comunidade luterana. Foram tratados tópicos relacionados à Música, à Teologia cristã e às mudanças no serviço religioso propostas por Lutero em 1517.



terça-feira, 24 de maio de 2011

Convite para o Concerto do Conjunto de Música Antiga - Colóquio #2



O concerto do Colóquio #2 apresentará obras vocais e instrumentais de Heinrich Biber, Dietrich Buxtehude, Johann Sebastian Bach e Georg Phillip Telemann. O Conjunto de Música Antiga da UFRGS terá como convidada a soprano Cíntia de Los Santos.

O concerto tem ENTRADA FRANCA e ocorre no sábado, dia 28/05, às 18h30min no Instituto de Artes da UFRGS.



*Crédito da foto: Morgana Figueiredo

Convite para o Colóquio #2 - A prática musical após a Reforma de Lutero

O Movimento da Reforma (1517), mais especificamente através de Martinho Lutero, valorizou a música tanto como obra divina quanto como elemento doutrinador e encontra em Johann Sebastian Bach o seu mais legítimo representante. Bach aperfeiçoou o sermão sonoro da cantata luterana, aproximando-o ainda mais ao análogo sermão falado, cujas intenções específicas podem, contemporaneamente, passarem despercebidas pelo ouvinte, apreciador apenas da beleza sonora. Bach foi fortemente influenciado pela herança retórica clássica, que surge com os gregos, passa pelos latinos, pelo Humanismo e se torna elemento essencial no movimento da Reforma. Percebe-se nas obras sacras de Bach a grande influência e importância da Musica Poetica, doutrina composicional que possibilitou uma mudança de status dos músicos do período, transformando-os em pensadores que agregariam às suas obras musicais elementos da filosofia, da religião, da retórica e da simbologia, entre outros.

Através do estudo dos elementos históricos e filosóficos que influenciaram os compositores do barroco alemão, podemos não só ampliar nossos conhecimentos, em geral restritos às impressões imediatas, mas acima de tudo nos possibilita ouvir a música de maneira mais profunda, através da alteração na percepção e na recepção da música. A música de Bach ouvida sob os enfoques dos afetos, vistas em sua construção sob a ótica da retórica, entendidas como sermão sonoro luterano, de certa forma eliminam a distância temporal que existe entre nós, Bach e seus contemporâneos.

Tópicos principais da palestra:

- a importância da Reforma na música ocidental;
- Lutero e a Música (o que engloba os hinos, sua função pedagógica, entre outros aspectos);
- a utilização da Retórica no sermão sonoro luterano
- a música de J.S.Bach

A palestra é em dois turnos, das 9h às 12h e das 14h30min às 17h30min. A taxa de inscrição é de R$25,00 para alunos da UFRGS e R$ 35,00 para a comunidade em geral.

A inscrição pode ser feita na hora ou na Extensão em Música: extmusica@ufrgs.br. Fone 3308-4325.

Palestrante: Katia Kato (UNICAMP)
Katia Kato é bacharel em oboé pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Na mesma instituição, concluiu o mestrado com a dissertação "O Oboé e a Representação da Confiança nas Árias das Cantatas Sacras de J.S. Bach" (2007) e atuou como professora convidada no curso de Música. Atuou também durante dezesseis anos como oboísta da Orquestra Sinfônica da Unicamp, Atualmente faz doutorado em música na UNICAMP onde desenvolve a pesquisa "A imitação emulativa nos processos de paródia nas Missas de J.S.Bach" e é professora de História da Música na Faculdade Nazarena do Brasil.

Colóquio #1 - Ópera Barroca. Concerto com o Conjunto de Música Antiga da UFRGS

O Departamento de Música tem muito orgulho ao apresentar pela primeira vez em sua história um grupo cujo repertório é dedicado à música antiga. Após anos de dedicação laboriosa na formação de jovens músicos, temos hoje um grupo integrado por alunos e professores do DEMUS, além de ex-alunos, que aqui conheceram e se apaixonaram pelo repertório barroco. O Conjunto tem um núcleo composto por integrantes fixos e a cada concerto contará com convidados, para juntos oferecermos um banquete musical a nossos ouvintes.


Integrantes:

Flautas doces: Aline Pause Güntzel, Cibele Endres Pereira, Greizi Kirst, Letícia Piasentin, Lucia Carpena* e Nicole Accurso.
Flauta transversa: Cláudia Schreiner
Oboé: Fernando Gualda

Violinos: Ariel Polycarpo e Vinícius Nogueira*
Viola: Gabriel Polycarpo
Violoncelo: Bárbara Ziel
Viola da gamba: Diego Biasibetti
Contrabaixo: Gabriel Dalmolin

Cravo e órgão: Fernando Cordella* e Lício Bischof

*spalla

No programa, obras de J. Blow, J.S. Kusser, J.B. Lully e R. Keiser.





Crédito das fotos: Eduardo Freitas de Andrade

Colóquio #1 - Ópera Barroca. Palestra com o Prof. Dr. Paulo Mugayar Kühl

A ópera é um gênero dramático-musical criado na Itália, no início do século XVII, e que sofreu diversas transformações em sua história. Esse tipo de espetáculo espalhou-se por toda a Europa, e posteriormente pelo resto do mundo, encontrando grande sucesso junto ao público. Ao mesmo tempo, surgiram diversas críticas de cunho poético, teórico, religioso, político e, às vezes, alternativas ao modelo italiano. Os diversos ofícios ligados à produção operístico (compositores, libretistas, cantores, dançarinos, arquitetos, etc.), nos vários países em que a ópera surge, propuseram soluções distintas para os problemas relacionados a esse tipo de espetáculo.
A França foi com certeza o país que mais claramente procurou criar uma alternativa ao modelo italiano, sobretudo através de Lully e do libretista Quinault. Mas em outras regiões, como nos países de língua alemã e na Inglaterra, variadas combinações de elementos musicais e dramáticos surgiram, criando outras possibilidades para a ópera. As polêmicas foram constantes e revelam, de um lado, a grande dificuldade teórica para compreender os espetáculos, de outro, mostram o quanto eram importantes na vida social das cidades e o sucesso que tiveram junto aos mais diversos tipos de público. (Prof. Dr. Paulo Mugayar Kühl)

Prof. Dr. Paulo Mugayar Kühlé professor do Instituto de Artes da UNICAMP desde 1995. É Mestre em História da Arte (UNICAMP), Doutor em História (USP) e fez seu pós-doutorado no Departamento de Música da New York University (NYU). Desenvolve pesquisas nas áreas de história da ópera, poética da ópera e história da arte.




Crédito das fotos: Marilene Freitas de Andrade